Discurso proferido pelo Presidente

Discurso proferido pelo Presidente

Discurso proferido pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, por ocasião de cumprimentos de Ano Novo ao Corpo Diplomático acreditado em Angola

Luanda, aos 09/01/2014

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DECANO DO CORPO DIPLOMÁTICO;
SENHORES EMBAIXADORES E CHEFES DE MISSÃO;
ILUSTRES CONVIDADOS;

É sempre com grande satisfação que recebo neste Palácio Presidencial os Chefes de Missão Diplomática e Consular acreditados em Angola, e respectivos cônjuges, para um convívio informal em saudação do Novo Ano.

Agradeço as palavras amáveis e encorajadoras proferidas pelo Senhor Decano do Corpo Diplomático e desejo a todos os presentes um ano repleto de paz, prosperidade e bem-estar em 2014.

Espero que continuem a usufruir da amizade e hospitalidade do povo angolano e a trabalhar em prol do aprofundamento das relações de amizade e cooperação entre Angola e os vossos respectivos países, com benefícios recíprocos.

A diplomacia angolana pautará a sua acção e todas as suas intervenções no estrito respeito da soberania de outros Estados, da igualdade e da não ingerência em assuntos internos, respeitando e fazendo respeitar igualmente as normas das convenções internacionais sobre as relações diplomáticas e consulares.

Em conformidade com o princípio da reciprocidade, eu conto com a colaboração de Vossas Excelências nesse sentido!

No início de um Novo Ano, nós procuramos manter o nosso optimismo em relação ao futuro, não obstante as dificuldades que quase todos os países ainda vivem.

O Senhor Embaixador foi muito eloquente específico ao apontar os reais problemas que ainda afectam uma grande parte da comunidade mundial.

No mundo actual, todos os problemas considerados como globais têm reflexos na vida interna de cada um dos nossos países, sejam eles problemas ecológicos, financeiros ou relacionados com o terrorismo, a segurança, os crimes   transnacionais e as grandes endemias.

Esses problemas, infelizmente, exercem um impacto mais negativo nos países em vias de desenvolvimento,  particularmente nos países africanos, por falta de infra-estruturas, recursos e capacidade técnica e administrativa para os superar.

A Comunidade Internacional deve assim prestar-lhes mais apoio e atenção.

Nós mantemos também a nossa esperança num futuro melhor das relações internacionais.
Não basta abordar os problemas actuais numa óptica meramente económica, financeira e política, tratando dos seus efeitos, sem aprofundar o conhecimento sobre as suas causas.

A ingerência em assuntos internos, a intolerância e a injustiça social e a flagrante e massiva violação dos direitos fundamentais estão na origem da maior parte dos conflitos que existem e que continuam a consumir recursos que poderiam servir para atender as necessidades sociais e de desenvolvimento da humanidade como o Senhor Decano aqui referiu.

Há assim que estabelecer mecanismos que permitam detectar as causas desses conflitos e agir eficazmente para superá-los, responsabilizando os seus promotores.

Em África registamos com mágoa a continuação de muitos conflitos, infelizmente, e o surgimento de outros que agravam a situação humanitária de pessoas deslocadas e refugiadas e atrasam o desenvolvimento económico e social dos países afectados.

Neste momento, o Governo angolano manifesta a sua solidariedade ao povo da República Centro Africana. Não está em condições de enviar forças militares para ajudar este país irmão, mão pode enviar ajuda humanitária para as pessoas deslocadas, juntando-se assim aos esforços da Comunidade Internacional.

A operação militar e segurança em curso nesse país deve ser fundada com urgência numa solução política para a crise, que pode ser encontrada pelo diálogo entre o Governo, partidos políticos e representantes da sociedade civil.

Em circunstâncias semelhantes, ou quase semelhantes, nos anos 90 do século XX, houve países que adoptaram como solução a Conferência Nacional Soberana que definiu os órgãos, o período de transição para a realização de eleições livres e democráticas sob observação internacional.

Oxalá que o Conselho Político de Transição da República Centro Africana desempenha este papel com sabedoria.

A República de Angola tem sido um importante factor de paz e estabilidade regional e reitera a sua total disponibilidade para contribuir ao nível da União Africana, das Nações Unidas, em especial através do Conselho de Segurança, para a preservação e restabelecimento da paz, da estabilidade e da segurança universal.

O Governo angolano manifesta o seu apreço a todos os países que apoiaram a sua candidatura a Membro Não Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e apela a outros países a fazerem o mesmo.

SENHORES EMBAIXADORES E CHEFES DE MISSÃO, ILUSTRES CONVIDADOS,

Nunca é demais referir a necessidade de concertação internacional para a resolução dos principais problemas que afligem o mundo.

Acredito que todos estamos conscientes de que fazemos parte da mesma comunidade humana e, por enquanto,  sabemos que só temos este planeta para viver.

É hora, pois, de pôr de lado todas as diferenças e eventuais divergências para juntos construirmos um mundo de paz, harmonia e bem-estar, em que os legítimos interesses de todas as nações possam ser tidos em conta.

Só desse modo podemos contribuir para o respeito pela dignidade humana, para o bem comum, incluindo o respeito pela natureza.

Essa é aliás a melhor herança que podemos deixar às novas e futuras gerações.

Muito obrigado pela vossa atenção.

BOM ANO DE 2014!

Related posts

Leave a Reply