DISCURSO DO SR. GERALDO SACHIPENGO NUNDA, EMBAIXADOR DE ANGOLA NO REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA DO NORTE

DISCURSO DO SR. GERALDO SACHIPENGO NUNDA, EMBAIXADOR DE ANGOLA NO REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA DO NORTE

NO DIA DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS À SUA MAJESTADE RAINHA ELIZABETH II

Honorable Oficials from the FCO and The Diplomatic Corps

Digníssimos membros da Missão Diplomática e do Consulado-Geral

Honrados membros da nossa Comunidade

Estamos muito honrados e gratos pela vossa generosa presença neste acto.  

Angola e o Reino Unido têm relações diplomáticas desde 1978, particularmente reforçadas desde 1986, quando foi rubricado o primeiro Acordo Geral de Cooperação e de lá para cá 7 dignos embaixadores, nomeadamente (1. Luís António Neto “Kiambata”, 2. Elísio de Figueiredo, 3. Alves Primo, 4. António da Costa Fernandes “Tony Fernandes”, 5. Ana Maria Carreira, 6. Miguel Fernandes Neto e 7. Rui Jorge Carneiro Mangueira), chefiaram esta Missão Diplomática, tendo desenvolvido as relações cordiais e mutuamente vantajosas entre os dois Estados. Assim sendo, começo esta alocução prestando-lhes uma especial homenagem, bem como aos membros da missão diplomática e da consular com quem cumpriram a sua missão, pelo trabalho desenvolvido para o fortalecimento das nossas relações.

Passados 42 anos, a nossa missão é consolidar e reforçar o que até hoje foi feito e realinhar a vontade dos Governos de Angola e do Reino Unido, vontade expressa este ano, no discurso do Primeiro Ministro Boris Johnson, na abertura da Cimeira sobre Investimentos Reino Unido – África, de 20 de Janeiro, onde o nosso País foi representado pela Delegação chefiada pelo Ministro de Estado da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, em representação do Presidente João Lourenço. 

Como é de conhecimento público, desde 2017, Sua Excelência o Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, adoptou um novo estilo de governação e priorizou o reforço da qualidade das instituições públicas no sentido de darem melhor resposta aos diversos problemas no país, sobretudo no que diz respeito a ética institucional, ao combate à corrupção e impulsionar o desenvolvimento, por via de uma economia sustentável, de um mercado aberto às melhores práticas e aos melhores investimentos; tudo isso com o fim último de criar melhores condições para a população angolana e todos os que habitam em território nacional. 

Excelências

Senhoras e senhores

Angola, tal como o Reino Unido, adoptou os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, Agenda da ONU para 2030, garantindo por via deles o crescimento sustentado e inclusivo, a protecção social e a protecção ambiental, base dos 17 princípios que o sustentam. 

Temos consciência que há muito por ser feito, em especial para o Estado angolano; em muitos casos, teremos que começar do zero, mas precisamos de começar e a agenda política do Executivo angolano está comprometida em realizar, num espírito de colaboração universal, estes objectivos; por isso, a nossa prioridade aqui, estará virada para reforçar os elementos que facilitem o crescimento sustentável da nossa economia, através de investimentos rentáveis, que permitam uma verdadeira integração social e empregos de qualidade e que respeitem o meio ambiente, porque Angola é um verdadeiro potencial turístico que agora começa a ser explorado por nacionais e estrangeiros, como foi o caso do documentário produzido pelo National Geographic sobre o Delta do Okavango, que vale a pena proteger, para que todos, hoje e amanhã, possamos dele desfrutar por muitos anos. 

O Executivo angolano tem estado a trabalhar e vai continuar a fazê-lo, para melhorar o ambiente de negócios do nosso país e hoje muitos frutos estão à vista, como por exemplo, a nova lei de investimento privado, que acabou com a obrigatoriedade de haver um sócio angolano como condição para uma empresa estrangeira investir em Angola ou mesmo a facilitação e rapidez na emissão de vistos para investidores. 

Angola precisa de se reerguer da melhor maneira e sem atalhos; precisa de gerar empregos na mesma velocidade do crescimento da população, que de acordo com o relatório de 2017, do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), é constituída por 47% de jovens; esta parte da população é extraordinariamente talentosa, cheia de vontade de mudança e ela demanda isso da nova liderança do nosso país. 

O Executivo angolano liderado pelo Presidente João Lourenço entende que o caminho está no sector privado, que o Estado precisa de diminuir a sua presença na economia; para o efeito, o Governo angolano tem um programa concreto de empresas a privatizar e convida a todos os interessados e em especial, as empresas do Reino Unido, a investir nas enormes oportunidades que o país tem na educação, na saúde, no turismo, na agricultura, nas pescas, nos transportes, na indústria em geral, nas infra-estruturas, nos serviços financeiros, de que Londres é um centro financeiro mundial incontornável, e na exploração e processamento dos recursos minerais, além do sector petrolífero, onde a BP já investiu até 2019, cerca de 23 bilhões de libras esterlinas, equivalentes a 30 bilhões de dólares americanos.  O Governo está e vai promover cada vez maior abertura e muitas facilidades.

Temos muito que aprender com aqueles que deram os passos que só agora estamos a dar; cada Nação tem a sua história, os seus momentos e as suas particularidades, mas a verdade é que enquanto humanidade, temos muito em comum, temos muito que partilhar, porque estamos destinados a conviver permanentemente. Queremos trabalhar estreitamente com o Reino Unido, por isso, estamos abertos e temos todo interesse em partilhar com as entidades públicas as melhores práticas que levaram este Estado a figurar na galeria dos mais desenvolvidos países do mundo. 

Queremos muito promover uma verdadeira cooperação entre instituições de ensino e de investigação científica, nos mais variados domínios entre os dois países; por isso queremos que as melhores universidades e centros de investigação do Reino Unido, que também o são do mundo, possam partilhar ou mesmo instalar-se em Angola e revolucionar o desenvolvimento por via do conhecimento, da ciência, da tecnologia e da inovação.

Senhoras e Senhores

Os Estados existem porque são compostos, entre outros elementos, por pessoas que devem ser o centro de toda actividade pública. Aos nossos compatriotas que decidiram, por razões diversas, mudar-se para aqui, Angola precisa de vocês onde quer que estejam, mesmo que a vontade de regressar tenha sido suplantada pelo afago do país que vos acolheu.

Vamos trabalhar junto do Consulado para melhorarmos o acompanhamento que tem sido dado aos nossos compatriotas por via, quer das organizações criadas por eles quer a nível individual, caso seja necessário.

A Missão Diplomática e o Consulado estarão sempre disponíveis para dentro das possibilidades existentes, dar o apoio institucional à Comunidade angolana no Reino Unido, aos estudantes angolanos, que aqui se encontram, prestando-lhe os serviços de que precisam, com prontidão e eficiência, e juntos vamos contribuir, a partir daqui, nos esforços que o Estado está a desenvolver para tornar Angola num melhor lugar para se viver. Esperamos isso de todos aqui presentes e de todos que estão por vós representados.

Angola precisa tanto de nós agora, quanto precisou de todos os seus filhos, para alcançar a independência em 1975 e a paz em 2002, para uma nova luta, a do crescimento econômico, do desenvolvimento sustentável, da justiça igual para todos, da paz e do bem-estar para todos os Angolanos.

Muito obrigado!

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